1º de maio: Vereador usa tribuna para denunciar perdas dos trabalhadores em tempos de golpe

Na sessão ordinária desta terça-feira (02), o vereador Paulo Porto (PCdoB) fez uso da tribuna para listar as perdas dos trabalhadores diante do golpe institucional de 2017, que impeachmou a presidenta Dilma Rousseff e viabilizou a aprovação da Reforma Trabalhista. A fala ocorreu em razão do dia 1º de maio, Dia do Trabalhador. Data fundamental para a classe trabalhadora que nasceu de uma grande greve geral que mobilizou centenas de milhares de trabalhadores em Chicago em 1886 na luta por direitos trabalhistas, como a jornada de 40 horas semanais.

“Primeiro de Maio segue sendo uma data símbolo da luta dos trabalhadores em todo o mundo, e este ano no Brasil tem um significado histórico. Em especial, devido a atual conjuntura política, na qual temos direitos trabalhistas constitucionais sendo retirados ao mesmo tempo em que temos o maior líder operário deste pais preso de forma arbitrária e ilegítima – faces perversas da mesma moeda, dois resultados oriundos do mesmo movimento: o ataque sem trégua à classe trabalhadora que se originou no golpe institucional de 2016. Primeiro se criminaliza os líderes populares depois se ataca os direitos trabalhistas, uma estratégia que apesar de eficaz não é nova, tem sua origem no fascismo italiano, nos anos 30”, destacou o vereador.

Porto ressaltou a importância de, diante da data, além de lembrarmos dos que lutam pelos trabalhadores, também é lembrarmos daqueles que atacam nossos direitos. “Como, por exemplo, os deputados federais Evandro Roman, Alfredo Kaefer, Padovani e Giacobo que votaram a favor da reforma trabalhista, que flexibilizou e retirou direitos da nossa CLT. Neste primeiro de maio, a eles fica o nosso repúdio”, afirmou. O vereador destacou que, diferente do que prometeram estes deputados ao apresentar voto favorável à reforma, esta reforma trabalhista, promulgada em 11 de novembro de 2017 a partir da Lei 13.467, não trouxe nenhum benefício ao trabalhador, ao contrário, apenas aos patrões.

“Nestes poucos meses de implantação os resultados já são visíveis e trágicos”, disse ele que os listou: Precarização da CLT com a absoluta ausência de regras definitivas, criando uma imensa insegurança jurídica para os trabalhadores criando incertezas em relação aos litígios entre o capital e o trabalho; Aumento do desemprego – segundo dados do Ministério do Trabalho a indústria reduziu 30 mil postos de trabalho e a Construção Civil demitiu 23.000 trabalhadores. Segundo o mesmo IBGE o desemprego está na casa dos 13,1% atingindo doze milhões de pessoas, sendo a pior média desde 2012; Aumento dos contratos precários – e consequentemente aumento da carga horária trabalhada e com diminuição da renda média do trabalhador. Segundo dados do IBGE atualmente mais da metade dos brasileiros vive com menos de um salário mínimo e um quarto da população com menos de R$ 387,00 mensais e; aumento nas dispensas coletivas das grandes empresas – e recontratação em condições precarizadas como horistas ou como terceirizados.

“Enfim… vivemos um primeiro de maio reféns da pejotização, precarização e flexibilização do trabalho. Nenhuma das promessas destes deputados foram cumpridas, eles afirmavam que o emprego aumentaria, que as regras seriam mais claras e melhoraria para o trabalhador. Pois bem…o emprego diminuiu, as regras não estão claras e o trabalho foi irremediavelmente precarizado. Perde o trabalho ganha o capital! Perde o trabalhador ganha o patrão! Por isso nesse primeiro de maio, marcado pela retirada dos nossos direitos e pela prisão arbitrária de Lula a classe trabalhadora reunida em Curitiba ontem – em um ato unificado com as seis centrais sindicais – lançaram duas palavras de ordem fundamentais: nenhum direito a menos e liberdade para Luis Inácio Lula da Silva. Este mandado seguirá irmanado ao lado dos trabalhadores e denunciando todo ataque aos seus históricos direitos!”, declarou.

 

Foto: Ricardo Stuckert