Agrotóxicos: “Pensar globalmente e agir localmente: esta será nossa grande tarefa!”

Agrotóxicos: “Pensar globalmente e agir localmente: esta será nossa grande tarefa!”

Na sessão desta segunda-feira (26) o vereador Paulo Porto (PCdoB) fez uso da tribuna para compartilhar com os vereadores informações referentes à apresentação do Plano Estadual de Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos no Paraná. A apresentação aconteceu durante evento, na última quarta-feira (21), reunindo mais de 450 técnicos das regionais de saúde de Pato Branco, Toledo, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Cascavel. Além dos técnicos de saúde, estiveram presentes representantes da agroecologia, agronegócio, Secretaria de Agricultura e Ministério Público. O vereador também destacou qual o papel do poder legislativo municipal no controle dos casos de intoxicações por agrotóxicos em Cascavel.

“O que cabe a nós vereadores de cidade campeã de Agrotóxicos no Paraná? Uma cidade contaminada pelo veneno dos agrotóxicos e pelo discurso venenoso em favor do agrotóxico – que vão desde a defesa do Agrinho até a sua chamada utilização responsável. Não podemos esquecer a força política e econômica de uma indústria que movimentou no ano passado somente no Brasil 5,7 bilhões de dólares – enfim, o que nos cabe neste debate?”, problematizou. Para Porto, cabe aos vereadores três ações:  fiscalizar as leis já existentes, como a Lei Municipal 6.484 que restringe a utilização de agrotóxicos na zona rural de nosso município; criar instrumentos legais de combate e restrição ao agrotóxico, como por exemplo proteger nossas águas e mananciais da utilização do veneno além e iniciar debate para proibir a pulverização área em Cascavel e; fortalecer os pequenos agricultores, a agricultura familiar, as práticas da agricultura urbana e a agroecologia.

“É fato que a agricultura familiar utiliza muito menos veneno que as monoculturas do agronegócio. E como fazemos isto? Incentivando o poder público a criar políticas de consumo em relação aos agricultores familiares, como, por exemplo, aumentar a compra – na forma de lei – dos produtos da agricultura familiar para merenda municipal por exemplo. A verdade vereadores, é que em relação a este dura luta contra os agrotóxicos vale a máxima: pensar globalmente e agir localmente. Esta será nossa grande tarefa!”, ressaltou.

O vereador destacou que dados apresentados pelos pesquisadores da saúde, apontam um quadro catastrófico. “Já encontramos resíduos de agrotóxicos no ar, nas águas, nos lençóis freáticos e aquíferos e nos animais. E se toda biodiversidade está em risco, nós também, obviamente, estamos em risco! Segundo estes pesquisadores é necessário pararmos com essa irresponsabilidade de relativizarmos este debate ao afirmarmos que o uso seguro resolve, pois todas pesquisas e estatísticas demonstram que não resolve. Pois o veneno segue nos contaminando”, disse.

Paulo reforçou que dados apontam que o grande problema não está apenas na intoxicação aguda, mas a chamada intoxicação crônica! Pois a aguda é fácil identificar, já a crônica não! “É o nosso envenenamento diário e silencioso por meio da comida, do ar e da água que consumimos. E seus efeitos e consequências são devastadores: alterações genéticas, indução ao câncer, crescimento de tumores, defeitos de nascimento e desordem reprodutiva. Não é à toa que o câncer de próstata comum aos homens é muito mais comum entre os agricultores. Em especial nos agricultores do oeste do Paraná, em especial nos agricultores de Cascavel. O Paraná é o segundo maior consumidor de agrotóxicos do país, Cascavel é o maior consumidor de agrotóxicos do Paraná, segundo os dados apresentados no encontro. Isto nos torna campeões paranaenses de incidência de câncer, malformação congênita, depressão e suicídios. Não é à toa, por um mero acidente geográfico, que a Uopeccan e a Apofilab são em Cascavel. Mais do nunca a questão da utilização ou não de veneno não pertence mais ao âmbito das questões ambientais, mas, ao campo da saúde pública”, ressaltou.

O plano estadual apontou 19 ações no combate ao agrotóxico no oeste do Paraná. Dentre elas o vereador destacou seis: Fortalecimento da Vigilância e Atenção à Saúde das Populações Expostas ao Agrotóxico; Criação de Grupos Técnicos nas Regionais de Saúde para o Combate e Enfrentamento de Agrotóxicos; Capacitação da Atenção Primária em Saúde para atenção integral das intoxicações por agrotóxicos nas 22 Regionais de Saúde; Monitoramento de Agrotóxicos em Água de Consumo Humano; Incentivo a Agroecologia e ao Consumo de Alimentos Saudáveis e;              Identificar os municípios onde ocorre a pulverização área e incentivar leis que a proíbam.