Água de Cascavel é contaminada por 27 agrotóxicos, mostra pesquisa apresentada por Paulo Porto

O Vereador Paulo Porto (PCdoB) fez uso da tribuna na sessão da Câmara para falar sobre uma detalhada pesquisa realizada pelos portais Repórter Brasil e Agência Pública a respeito da contaminação da água por agrotóxico no Brasil. Com o título “Você bebe agrotóxicos? Descubra se a água da sua torneira foi contaminada, de acordo com dados do Sisagua” a pesquisa foi transformada, pelo site “Por trás do alimento”, em uma plataforma interativa,  onde é possível consultar se a água da sua cidade está contaminada ou não.

Segundo os dados levantados, um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

A mistura entre os diversos químicos foi um dos pontos que mais gerou preocupação entre os especialistas ouvidos. O perigo é que a combinação de substâncias multiplique ou até mesmo gere novos efeitos.  Essas reações já foram demonstradas em testes, afirma a química Cassiana Montagner. “Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando mistura com outra substância”, explica Montagner, que pesquisa a contaminação da água no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. “A mistura é uma das nossas principais preocupações com os agrotóxicos na água”.

Em Cascavel

Na cidade de Cascavel foram encontrados na água todos os 27 agrotóxicos testados. Destes 27 agrotóxicos monitorados, 20 são listados como altamente perigosos pela Pesticide Action Network, grupo que reúne centenas de organizações não governamentais que trabalham para monitorar os efeitos dos agrotóxicos.

Para o vereador Paulo Porto é necessário que a Câmara de Vereadores de Cascavel fomente esse debate junto à população cascavelense. “Eu entendo que essa Casa tem que fazer esse debate, fundamental para o futuro de Cascavel. Eu estou propondo junto ao mandato do vereador Celso Dalmolin e mandato do vereador Misael Junior, na perspectiva da Comissão de Meio Ambiente, elaborar um seminário ou audiência pública para que a gente debata isso. Afinal nós temos o direito de saber se Cascavel se encontra consumindo agrotóxico como diz a pesquisa”, afirma Porto.

Agrotóxico mais tóxico no país

Entre os agrotóxicos analisados está o glifosato e o mancozebe, ambos associados a doenças crônicas, e o aldicarbe, proibido no Brasil e classificado pela Anvisa como “o agrotóxico mais tóxico registrado no país, entre todos os ingredientes ativos utilizados na agricultura”.

O glifosato é o caso mais revelador sobre as peculiaridades do Brasil na regulação sobre agrotóxicos. Classificado como “provável carcinogênico” pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão da Organização Mundial da Saúde, o pesticida está sendo discutido em todo o mundo. Há milhares de pacientes com câncer processando os fabricantes nos Estados Unidos – e vencendo nos tribunais – além de protestos e petições pedindo a sua proibição na Europa. Não há consenso entre as agências reguladoras sobre sua classificação. No Brasil, que oficialmente colocou a substância em revisão desde 2008, o Ministério da Agricultura liberou novos registros para a venda de glifosato no início deste ano. O pesticida passou a ser vendido em novas formas, quantidades e por número maior de fabricantes.

Todas as informações sobre a pesquisa podem ser encontradas no site portrasdoalimento.info, além disso é possível encontrar no portal outras pesquisas que investigam como são produzidos os alimentos que comemos e exportamos, entre outros produtos.

A proposta do site é lançar toda semana reportagens inéditas, investigações e a movimentação no Congresso e no Executivo sobre este tema tão importante para a saúde dos brasileiros, da economia e do meio ambiente.

 

*Com informações do site Por Trás do Alimento