Porto sai em defesa da participação da rede municipal na greve geral do dia 14

Porto sai em defesa da participação da rede municipal na greve geral do dia 14

O vereador Paulo Porto (PCdoB) ocupou a tribuna na sessão ordinária de hoje (17) para rebater críticas e fazer uma defesa dos professores da Rede Municipal de Educação, que aderiram à greve geral chamada para a última sexta-feira, dia 14. Segundo ele, os professores do município foram vítimas de ataques “equivocados e covardes” por parte da imprensa e de algumas lideranças políticas. “Está em moda o discurso de ódio contra os professores, um discurso que vem desde o governo federal, perpassa pelo governo estadual e lamentavelmente tem tido eco em nosso município”, disse o vereador, para quem o discurso de ódio “é uma exaltação à ignorância e ataque sem trégua ao conhecimento, por isso os professores são seu alvo preferencial”.

Conforme analisa o vereador, as críticas feitas aos servidores da rede municipal estão cheias de equívocos. O primeiro equívoco é sobre a questão do próprio direito à greve, inclusive com muitos dizendo que os professores deveriam fazer greve aos domingos para não atrapalhar a vida das pessoas. “Em relação a isto, tenho ouvido coisas estapafúrdias e absurdas como ‘se querem fazer greve, se querem se manifestar, que façam domingo para não atrapalharem as pessoas’”. Porto diz que nesse caso basta uma simples visita aos dicionários para encontrar as definições para a palavra greve. “Em todas as definições temos o termo trabalho, ou seja, fazer greve é justamente interromper o trabalho, ou seja, greve é quando se cessa o trabalho para demandar pautas relativas aos direitos dos trabalhadores. Por isso é óbvio, é ululante que não pode ter greve no domingo! Domingo não se trabalha, por isso não faz greve! Duros tempos estes nossos em que se faz necessário reafirmar o óbvio!”, disse.

Outro equívoco contido nas críticas é sobre a repetição de que a greve é politizada, pois quando a Dilma, em 2015, cortou recursos da educação, não se fez ato nenhum. De novo, ressalta o vereador, a solução teria sido uma simples busca de informações no Google. “Bastava ir no Google e digitar “greves 2015” para achar centenas de notícias da greve que as universidades fizeram em 2015 justamente por causa deste corte de verbas. Em 2015, devido aos cortes da educação, 19 universidades federais entraram em um movimento paredista que durou cerca de cinco meses! Sendo o mais longo movimento grevista da história das universidades federais. Era só pesquisar, bastava um pouco de honestidade e vontade”.

Outro equívoco grave contido nas críticas aos professores municipais presentes na greve geral é de que a greve do dia 14 não deveria ser pauta dos servidores da educação local por que diz respeito a demandas de caráter nacional.Se nas questões anteriores poderíamos imaginar que era uma questão de desinformação, afinal bastava ser alfabetizado para ler o dicionário ou mesmo no Google, aqui me parece que há uma mistura de desinformação e má fé”, disse Paulo Porto em sua análise.

Segundo o vereador, nesse caso é preciso considerar a pauta de reivindicações desta greve do dia 14 de junho, contrária à Reforma da Previdência, ao desemprego e aos cortes na Educação. “Ninguém em sã consciência pode afirmar que esta pauta não interessa ao trabalhador cascavelense. Não existe uma pauta nacional. É óbvio que as questões nacionais nos afetam localmente”, afirma, para esclarecer em seguida: a reforma da previdência afetará a todos, até por que todos trabalhadores tem direito a se aposentar, nada mais justo que nos manifestemos em relação a isso. Já sobre a pauta do desemprego, hoje, segundo dados oficiais, o desemprego é de 13%, “ou aproximadamente 13,5 milhões pessoas vagando pelas ruas” e engrossando as filas das agências de empregos. “É óbvio que nos afeta, por isto é justo que nos manifestemos”, reitera Porto. E por último, a questão dos cortes na educação. “É de uma ingenuidade, para não falar de má fé, achar que isto não interessa diretamente os nossos educadores municipais. Será que as pessoas não percebem a relação de vaga nos CMEIs com dinheiro público? Será que as pessoas não percebem a relação do FUNDEB com o salário dos professores e as reformas nas escolas? Será que os pais destes alunos, que as lideranças políticas, não percebem que se os cortes se mantiverem parte destas políticas públicas, como por exemplo a oferta gratuita (como direito!) na educação infantil e séries iniciais, estará em risco? Será necessária uma inteligência excepcional para se dar conta disto?”.

O vereador ainda continua em sua linha de raciocínio, na defesa do movimento grevista e da participação dos professores e demais servidores da rede municipal. “E para quem não entende o que estou falando, vou desenhar por meio de números: Em Cascavel, como em todos municípios, existe um fundo público chamado FUNDEB m(Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). É constituído de verbas federais – justamente estas que estão em risco de serem cortadas – e hoje o FUNDEB representa cerca de 50% dos vencimentos dos servidores da educação em nosso município. Se o FUNDEB for atingido por estes cortes – e estamos correndo este risco – a nossa rede municipal desaparece. Simples assim. E estes pais, que hoje reclamam da paralisação de um dia, futuramente poderão estar reclamando da absoluta falta de vaga no sistema público. Eles não compreendem que, no limite, a luta dos professores é também a luta pelo direito do seu filho a uma vaga no ensino público”, diz.

“Em razão disso, encerro com uma homenagem e meu reconhecimento a todos e todas que pararam neste dia 14 de junho em defesa de seus direitos e do futuro de todos, em especial aos bravos professores da nossa Rede Municipal, que estiveram maciçamente mobilizados nesta última sexta feira. Professores municipais, contem sempre com este mandato em defesa da categoria, da educação pública, gratuita e de qualidade. Este mandato tem lado, e é o lado do trabalhador”, discursou.

 

Crédito para Foto: Marcelino Duarte/Assessoria CMC