Porto é contra extinção de cargo de zelador e diz que solução é a valorização da carreira

Porto é contra extinção de cargo de zelador e diz que solução é a valorização da carreira

“É um absurdo penalizarmos a carreira mais humilde do quadro de servidores municipais, os zeladores, precarizando ainda mais o serviço público, para tentar resolver um problema de gestão”. Essa é a avaliação do vereador Paulo Porto (PCdoB), durante reunião realizada na manhã de hoje (30) na Câmara, para esclarecimentos sobre o anteprojeto de lei 128/2018, do Executivo, que propõe a extinção da carreira. O projeto vai à primeira votação na sessão ordinária da próxima segunda-feira, o que motivou a reunião entre secretários municipais, vereadores e representantes dos servidores, através do sindicato da categoria.

Porto deixou claro que o mandato seguirá ao lado da classe dos trabalhadores e em luta pela melhoria da qualidade dos serviços públicos. O vereador disse que é preciso romper com o debate sobre direitos e empregos. “Não podemos levar o debate nessa direção, como se só pudéssemos escolher entre uma coisa e outra, ou seja, ou se tem emprego ou se tem direitos”, diz, acrescentando:  “Nessa perspectiva o debate está errado. Precisamos ir além disso, debater a qualidade dos serviços com avanços nos direitos dos trabalhadores”. Para ele, ao contrário da extinção dos cargos, o caminho é o da valorização da carreira.

“A prefeitura alega que há muito rodízio na carreira, muitos afastamentos e atestados. E isso é verdade. Mas isso ocorre porque a carreira é pouco atraente, com o mais baixo salário de todas as carreiras do serviço público municipal, na casa de mil reais brutos mensais. Então, o correto é valorizar a carreira e abrir concurso para contratar a mão de obra necessária”. Conforme Porto, a questão financeira deve ser resolvida com a ampliação da arrecadação através de alternativas existentes, como a implantação do IPTU progressivo, pauta que deve ganhar espaço nas sessões ordinárias da Câmara dentro de mais algumas semanas.

“Repito, não podemos penalizar o elo mais frágil das carreiras do município, como se as zeladoras fossem culpadas pelo problema de arrecadação, em que temos a gestão no limite prudencial. O problema não são as zeladoras, a carreira do servidor municipal. Temos que debater a gestão e a arrecadação para manter a qualidade dos serviços que a população precisa”, diz o vereador.

Porto afirmou que votará contra o projeto do Executivo na próxima sessão, reiterando o apoio à classe trabalhadora, aos servidores municipais. “O posicionamento do nosso mandato é completamente contrário a este projeto. Não podemos responsabilizar justamente a categoria mais fragilizada e menos valorizada da prefeitura pelo déficit nas contas. Também não podemos ameaçar os trabalhadores forçando-os a escolher entre emprego e direitos ou emprego e dignidade”.