Lançamento do livro “Palestina, um olhar além da ocupação” traz embaixador da Palestina à Cascavel

Lançamento do livro “Palestina, um olhar além da ocupação” traz embaixador da Palestina à Cascavel

Em 2015 o vereador Paulo Porto, juntamente com o vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Nilton Bobato, e com o presidente da Sociedade Árabe Palestina de Foz do Iguaçu, Jihad Abu Ali, fizeram uma visita à Palestina. Lá, diante da hospitalidade com que foram recebidos, questionaram de que forma poderia retribuir. A resposta foi unânime: contem o que vocês viram aqui! Dois anos depois, a promessa foi cumprida. O livro “Palestina, um olhar além da ocupação”, foi lançado através da Editora Limiar. Bobato ficou com a missão de narrar esta história, já Paulo Porto registrou em fotografias tudo o que lá foi visto. No entanto, cumprir este promessa só foi possível graças ao apoio da Embaixada do Estado da Palestina no Brasil e de outras entidades, que assumiram o compromisso de viabilizar a publicação.

Por isso, a presença do embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, não poderia faltar no lançamento do livro que aconteceu em Cascavel no último sábado (3). Além de Ibrahim, fazia parte da comitiva o presidente da Confederação Palestina Latinoamericana e do Caribe, Rafael Araya Masry.

A agenda do embaixador em Cascavel começou por volta das 11h, quando encontrou-se com o arcebispo Dom Mauro, onde puderam conversar a sobre a situação dos cristãos na Palestina. “Nós palestinos somos cristãos, somos muçulmanos e somos judeus”, destacou o embaixador. De acordo com Ibrahim, culturalmente ao chegar a uma cidade, procura-se primeiramente autoridade religiosa daquele local, com o objetivo de pedir a chave da cidade. “Por isso o procuramos, para pedir a sua benção. Agora com sua benção, podemos adentrar a cidade”, destacou. Após o almoço, a comitiva seguiu até a Câmara de Vereadores, onde o embaixador reuniu-se com os movimentos sociais da cidade, a fim de atualizá-los acerca do atual panorama da Palestina. “O objetivo é obviamente uma solidariedade ativa e maior de vocês, de suas instituições. Façam visitas ao território palestino. Quem visitar o território palestino será bem recebido. Sentirão como é dura e cruel essa ocupação que está privando o povo palestino de seus direitos e como este povo consegue resistir pacificamente e viver uma vida normal”, destacou.

Por volta das 16h30, o embaixador fez uma visita ao gabinete do prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, que o recebeu com parte de seu secretariado. O embaixador, que destacou o quanto gostou da cidade, foi presenteado pelo prefeito com uma camiseta do FC Cascavel. “Obrigado por nos atender em dia de descanso. Sempre passava por Cascavel e seguia pela BR-277, a estrada do desenvolvimento. São estradas muito boas, reflexo da dedicação da população e das autoridades”, afirmou.

Durante a conversa, o embaixador reforçou o interesse em construir uma amizade entre a Palestina e a cidade de Cascavel. “Mas a esta solidariedade não se aplica a Lei Seca, precisa ser uma relação positiva para ambos os lados”, disse Ibrahim que também é decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil. Ele reforçou que existem fortes relações comerciais entre o Brasil e o Mundo Árabe, com destaque para a compra de soja e frango. Para se ter ideia, de acordo com o conselheiro titular da Federação Árabe da Palestina no Brasil, Ualid Rabah, o balanço comercial entre o Paraná e o Mundo Árabe aponta uma movimentação de 1,7 bilhões de dólares, sendo que deste total 1,4 milhões foi resultado de compra por parte dos árabes. Falando em negócios, do gabinete, Paranhos e a comitiva seguiram para o Show Rural, onde foram recebidos pelo coordenador geral do evento Rogério Rizzardi. Lá, puderam conhecer toda a estrutura da feira antes mesmo do início do evento, que teve início nesta segunda-feira (5).

 

Lançamento

Por volta das 20h, enfim o embaixador foi á sua principal agenda, o lançamento do livro “Palestina, um olhar além da ocupação”. No evento, aproveitou para destacar o quanto gostou de Cascavel. “É uma cidade limpa, linda e de povo trabalhador. Esperamos um dia voltar a ter o poder das nossas cidades para mostrar que também somos um povo trabalhador”, disse. Quanto ao livro, ele reforçou que espera que este sirva para despertar nas pessoas a vontade de conhecer a Palestina. “Ainda não perdemos a esperança de uma Palestina Livre”, destacou.

Durante o evento, Porto, Bobato e Jihad comentaram a viagem e o processo de elaboração do livro. “Não é um conflito.Como pode ser um conflito se um lado está armado e o outro desarmado? Na Palestina nem a polícia anda armada, enquanto que do outro lado até os civis podem andar armados. O mundo precisa entender que só haverá paz no Oriente Médio quando resolver a questão palestina”, destacou. Já Paulo Porto, elegeu algumas histórias que, para ele, resumiam bem a viagem. Em uma delas Porto contou ter ouvido: “Na Palestina você terá uma criança desarmada enfrentando um soldado armado. E o soldado estará com vergonha porque sabe que a criança tem razão”. No entanto, entre os membros da comitiva, era Jihad para quem a viagem tinha maior valor, afinal de contas, como descendente direto de palestinos, havia sido deportado há dez anos, em um episódio onde tentava ir até Jerusalém para rezar. “Uma moça me atendeu e afirmou: mas aqui é Israel. Então respondi: não, aqui é Palestina. Então ela pegou meu passaporte e naquele dia fui deportado. Quando você é deportado, só pode voltar após 10 anos”, comentou.  Viagem coincidia com o fim do prazo, no entanto Jihad comentou a aflição em saber se conseguiria ou não entrar na Palestina. “É muito difícil para um palestino não poder ir para a Palestina quando quiser”, disse.