Porto diz que é preciso dar um basta nas  mentiras que geram violência no campo

Porto diz que é preciso dar um basta nas mentiras que geram violência no campo

O vereador Paulo Porto (PCdoB) ocupou a tribuna da Câmara na sessão ordinária de hoje (30) para reiterar as denúncias de violência estrutural e preconceito contra os pequenos agricultores. “Nosso mandato segue apostando na paz campo, mas por meio da reforma agrária e não da violência, que só produz a paz dos ricos e dos cemitérios”, disse o vereador.
Porto discursou em defesa dos agricultores assentados em Quedas do Iguaçu, nas disputas contra a Araupel, por conta da denúncia do Ministério Público em relação ao homicídio de dois agricultores, Vilmar Bordin e Leonir Orback, por parte das forças policiais, ocorridas em 2016, numa ação irregular. “Seguimos aguardando por justiça”, disse.
A denúncia do Ministério Público é contra seis policiais que, em 07 de abril de 2016, teriam sido orientados por vigilantes privados da Araupel, sem qualquer ordem e respaldo legal, a adentrarem uma área pública ocupada por agricultores sem-terra. “Naquela ocasião, ao encontrarem um grupo de 35 camponeses em uma trilha rural, sem qualquer abordagem ou iminente ameaça, efetuaram 153 disparos de armas de fogo, usando fuzis, pistolas e espingardas calibre 12. Naquele dia vieram a óbito dois camponeses, além de dezenas de trabalhadores feridos. Segundo denúncia do Ministério Público estas pessoas foram mortas e feridas sem qualquer aviso e sem nenhuma chance de defesa”, discursou Porto. Os policiais pertenciam a ROTAN e à Força Verde, da PM.
Ainda em seu discurso, o vereador disse que voltava a falar a respeito da Araupel, “das suas terras griladas e da violência do estado contra os agricultores sem-terra”, que ocupam aquelas terras públicas. “Eu já disse dezenas de vezes nesta mesma tribuna que a Araupel é a maior grileira do sul do país. Não é de hoje que o poder judiciário vem reconhecendo que aquelas terras são públicas e que foram, de forma ilegal e criminosa, griladas pela Araupel”.
O vereador explicou que denunciar a grilagem de terras pela Araupel não era mais novidade, mas que era preciso reiterar isso “porque ainda existe uma zelosa indústria de fake news afirmando contrário”. A novidade, desta feita, era a denúncia do Ministério Público, por homicídio doloso (quando há intenção de matar) de Vilmar Bordim e Leonir Orback, além de seis tentativas de homicídio. “Todos crimes qualificados, por não ter havido nenhuma chance de defesa das vítimas”.
Ainda na tribuna, o vereador do PCdoB fez questão de frisar “que não é de hoje que este mandato vem denunciando a utilização das forças de segurança pública como uma espécie de segurança privada, a serviço dos interesses da Araupel. Utilização não só imoral, como ilegal e criminosa”.
Por fim, o vereador espera que seja feita a justiça, mas registra sua indignação: “Meu lamento é que, mais uma vez, não se identifica o mandante. Afinal, quem deu a ordem para que estes policias entrassem, sem mandado judicial, em uma área pública e sabidamente alvo de conflitos agrários? Quem deu a ordem? Agentes púbicos ou agentes privados? Quem permitiu o desvio de finalidade do comando destas forças de segurança pública? A serviço de quem?”, indagou Paulo Porto, que continuou seu raciocínio da tribuna: “Com certeza, não foi a serviço nem do Estado e nem da ordem pública. A verdade é que estamos cansados de ver pobre contra pobre, trabalhador contra trabalhador. Gostaríamos que, ao menos uma vez, chegássemos aos mandantes e justiça fosse plenamente realizada. A polícia do Paraná não pode ser segurança privada de grileiros de terra!”, afirmou.
Para o vereador, “em vez de se organizar audiências públicas em espaços privados para se debater a questão agrária, em vez de justificar preconceito e violência a partir de falsas afirmações de que “Quedas está em chamas!” seria bom que estas repostas viessem à tona. Não por que este mandato gostaria, mas porque a justiça assim o exige”.
Porto diz que é necessário que as pessoas parem de mentir sobre a Araupel e a questão agrária no Paraná. “E em relação a Quedas do Iguaçu, ela vai muito bem obrigado! Com suas mais de 3.000 famílias assentadas, produzindo comida, gerando trabalho e desenvolvimento regional. Seguimos apostando na paz campo, mas pelo caminho da reforma agrária”.

Crédito: Assessoria de Imprensa Gabinete Vereador Paulo Porto

Fotos: Marcelino Duarte/Assessoria CMC