OAB Cascavel abre as portas para diversidade e debate de gênero

OAB Cascavel abre as portas para diversidade e debate de gênero

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Cascavel abriu as portas na noite desta quinta-feira (29/6) para a diversidade e o debate de gênero por meio de iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da entidade. O debate foi motivado pela recente decisão da Procuradoria Geral da República em apresentar ações contra leis municipais que proíbem o ensino de educação sexual e temática de gênero nas escolas.

A audiência pública – intitulada Gênero, Política e Religião – foi coordenada pelo advogado e professor universitário Marcelo Navarro, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Cascavel, e contou com a presença de professores, advogados, estudantes, ativistas LGBTT, representantes da Câmara de Vereadores, APP-Sindicato, Secretaria Municipal de Educação, Conselho Regional de Psicologia, DCE da Unioeste, entidades e coletivos feministas.

Presidente da Comissão de Educação da Câmara, o vereador e professor Paulo Porto (PCdoB) destacou que atual debate é do “dogma contra a ciência” e que a discussão não passa somente por gênero, mas também por diversidade, emancipação humana e defesa da racionalidade. “Parece que voltamos a Idade Média, para a época do dogmatismo de Santo Agostinho que afirmava que a se a filosofia não confirmasse a fé ela não valeria de nada. Estamos combatendo um obscurantismo militante, de um senso comum que aspira ser discurso hegemônico, ocupando diversos espaços na sociedade como nos poderes legislativos, nas entidades de classe e até no Executivo”.

Docente da Unioeste, Porto lembrou que o papel dos educadores e educadoras, assim como de entidades como a OAB, é resguardar a razão, fazer a defesa da racionalidade diante do obscurantismo que busca ocupar lugar que não lhe pertence. “A escola é o local privilegiado do saber científico. Nosso papel enquanto educadores e educadoras é trazer aos alunos coisas que vão além do senso comum, mas quando este senso comum busca ocupar lugar na escola isso se torna muito sério. Essa é a lógica de programas como o Escola sem partido, discutido por gente quem não tem a mínima condição pedagógica para debater educação”.

“Teocracia”

Para o reverendo da Igreja Anglicana e presidente do CDH/Cascavel (Centro de Direitos Humanos) Luiz Carlos Gabas, os debates públicos como o promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil são fundamentais neste momento perigoso onde setores da religião interferem em questões que não são de sua competência. “A religião pode ser uma coisa boa, mas também muito ruim e perigosa. Pode ser instrumento de libertação ou de exclusão, preconceito e ódio. Há muita gente sem competência para ler os textos sagrados da Bíblia, fazendo interpretações rasas e tendenciosas da palavra de Deus. Muitos deles ocupando espaço em câmaras legislativas, no Senado, no Executivo, querendo quem sabe implantar uma teocracia no país”, alertou o religioso.

Para Gabas, a fé não pode descartar o uso da razão. “Faço parte de uma igreja que não descarta a razão em nenhum momento. A igreja deve se situar-se em cada momento histórico e isso se faz pela abertura”, concluiu. Ao fim dos debates foram tirados alguns encaminhamentos da audiência no que diz respeito a novos fóruns de debates, elaboração de projetos de leis, formações, além de atividades e atos públicos relacionados a diversidade e da temática de gênero.

Texto e foto: Júlio Carignano