Paulo Porto fortalece ações da AMAC para ampliar debate sobre autismo em Cascavel

Paulo Porto fortalece ações da AMAC para ampliar debate sobre autismo em Cascavel

O vereador Paulo Porto (PCdoB), presidente da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, esteve reunido hoje com a direção da Associação das Mães de Autistas de Cascavel (AMAC). Através do mandato e da comissão, a ideia é contribuir com o fortalecimento das ações empreendidas pela AMAC, no sentido de se conhecer melhor a realidade sobre o autismo no município para a criação de políticas públicas de orientação e atendimento.

Um dos maiores desafios para a AMAC, segundo a presidente da entidade, Samantha Sitnik, é justamente conseguir dados confiáveis sobre a quantidade de pessoas dentro do Transtorno de Espectro Autista (TEA), em Cascavel. Não existem dados precisos em âmbito nacional, estadual ou municipal, o que evidentemente dificulta a criação de políticas públicas efetivas. “Estamos num esforço para reunir famílias de autistas até para conhecer com mais precisão a realidade e contribuir para a solução dos problemas”, diz Samantha, ao explicar o objetivo da associação, que existe há um ano em Cascavel.

Já a diretora da AMAC, Tatiana Raquel Menegoto, informou que por falta de dados até mesmo a estrutura de atendimento acaba sendo precarizada. “Via SUS, por exemplo, temos uma situação de déficit nos serviços de neuropediatria a ponto de termos crianças que estão há três anos na fila de atendimento inicial”, denuncia. Quanto mais precoce o diagnostico e o tratamento, maiores as chances de se trabalhar com a inclusão social das crianças.

Na reunião com as mães, o vereador Paulo Porto reiterou que o mandato e a Comissão de Educação da Câmara estão à disposição para fortalecer as ações. Na reunião foram definidos alguns encaminhamentos a serem viabilizados nas próximas semanas, a partir do envolvimento de outros líderes políticos e instituições públicas, como a própria Câmara de Vereadores, Prefeitura Municipal, Ministério Público, Vara da Infância e da Juventude.

A prioridade é a realização de um censo para reunir dados confiáveis sobre o TEA em Cascavel, a elaboração de uma cartilha para divulgar mais informações sobre o transtorno e, ainda, a realização de um evento municipal que contribua para a divulgação da causa.

Apesar de o autismo ter uma incidência significante, apenas em 1993 a síndrome foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A demora na inclusão do autismo neste ranking é reflexo do pouco que se sabe sobre a questão. Ainda hoje o diagnóstico é impreciso e há muita desinformação na sociedade, o que aumenta o risco de preconceito ou negligência contra os autistas.

A partir de 2013 houve uma nova classificação dentro dos chamados Transtornos do Neurodesenvolvimento, com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com isso, no mesmo quadro, passou-se a englobar Autismo, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, transtornos do desenvolvimento e Transtorno Desintegrativo da Infância, ampliando as possibilidades diagnosticas que, na prática, tem confundido muitos profissionais e familiares.

Segundo o vereador, é fundamental que toda a sociedade tenha conhecimento sobre o autismo. “E o quadro é bastante grave quando nos damos conta que nem mesmo sabemos quantas pessoas estão dentro desse espectro autista no país, no Estado ou em Cascavel”, destaca Paulo Porto. Levando-se em conta as estatísticas internacionais, aceitas pelas instituições e autoridades na área de saúde, estima-se que um em cada 68 bebês nascidos tenha características do espectro autista, o que aponta para um número de aproximadamente 2 milhões de brasileiros dentro do espectro. Numa cidade como Cascavel, com pouco mais de 300 mil habitantes, isso significa admitir uma população com mais de 4 mil pessoas dentro do TEA. “Mas isso são apenas estimativas. Precisamos primeiro construir uma forma mais confiável de se conhecer esses dados até para poder pensar políticas públicas adequadas para as necessidades dessa população. De início, sabemos que uma criança não pode ficar três anos esperando o agendamento de um atendimento inicial e nem podemos admitir tamanha falta de conhecimento sobre essa temática em nossa sociedade”, conclui Paulo Porto.