Paulo Porto propõe homenagem a médica da USF Maria Luiza por diagnóstico de doença rara

Compartilhe

O vereador Paulo Porto (PCdoB) vai propor uma homenagem para a médica
Thaisi Estralioto de Souza Campos, que atua na Unidade da Saúde da Família
(USF) do bairro Maria Luiza. A médica, que também é fisioterapeuta, teve uma
atuação determinante no ano passado quando, num atendimento a uma criança,
viabilizou que o serviço público chegasse ao diagnóstico de um raro caso de
doença renal, que ameaçava seriamente o desenvolvimento motor e a autonomia
futura do paciente. O caso envolve outros profissionais e até pesquisadores
ligados à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), envolvidos num
plano terapêutico coordenado de sucesso. “É um caso muito bonito que comprova a
qualidade dos profissionais e do serviço público como um todo. É fundamental
valorizarmos esse episódio até como forma de combater os discursos e as
práticas governamentais que pretendem atacar, agora, a estabilidade dos
servidores públicos, depois de já destruírem outros direitos, como a
aposentadoria”, justifica o vereador.

O relato do fato chegou ao gabinete do vereador através da mãe da
criança, Ieda Araújo Prado, que é professora da rede municipal de ensino. Ela
conta que seu filho, o garoto Benício, nascido em maio de 2018, só está andando
e se desenvolvendo normalmente graças a atuação da médica da USF Maria Luiza.
“Ela foi muito além no atendimento. Estudou e pesquisou muito para investigar o
caso e isso permitiu o diagnóstico correto e o tratamento adequado de meu
filho”, relata a mãe. Segundo ela, é preciso mesmo valorizar o caso. “Se fosse
o contrário, como um erro médico, por exemplo, daríamos visibilidade para isso,
teria muito barulho. Então, é justo fazer esse reconhecimento público”,
justifica Ieda.

Ieda resume a história: “meu filho passou pela mão de 22 médicos,
grande parte da rede privada, que atende planos de saúde. Mas foi no serviço
público que o diagnóstico de uma doença rara foi feito. E foi por isso que se
chegou ao tratamento adequado e só por isso hoje meu filho anda e se desenvolve
feliz e com saúde”, conta.

Ieda explica que fez o pré-natal em rede privada, valendo-se de plano
de saúde. Logo nos primeiros dias, começou a perceber que havia algo diferente
com seu filho. “O pediatra que nos atendia disse que não era nada. Mas sou mãe
e percebia que havia algo errado”, conta. Por conta de um outro problema,
precisou levar a criança para uma consulta com um neurologista, falou novamente
da preocupação com a criança. “O neuro concordou que havia algo diferente e
recomendou que procurasse a Unioeste, com seus profissionais, para uma
investigação”, diz.

Ieda precisava do encaminhamento pelo serviço público e procurou a
unidade mais próxima de sua casa, no caso, a USF do maria Luiza.  Atendida pela médica Thaisi Estralioto, Ieda
estava finalmente no caminho para o diagnóstico correto para seu filho. A
própria médica, que atua na rede pública municipal de saúde desde 2015, lembra
que Benício chegou a unidade com poucas semanas de vida, quando ela percebeu
alterações clínicas, uma vez que era criança prematura e precisava de
atendimento de especialidades médicas, como pneumologista e neurologista. A
médica lembra também que, com aproximadamente seis meses, a criança apresentou
perda de peso e atraso no desenvolvimento motor, o que necessitou
encaminhamento para a fisioterapia, quando se confirmou problemas de mobilidade
no quadril. Realizado um raio-x, descobriu-se um problema de ossificação, que a
criança não tinha a cabeça do fêmur, e o caso envolveu também profissionais de
ortopedia.

A mãe de Benício explica que depois do Carnaval de 2019, quando se
chegou ao diagnóstico, de volta a USF, a doutora Thaisi prometeu que iria
estudar mais sobre o caso, inclusive solicitando mais exames. “Ela (a médica)
fez uma pesquisa e encontrou um estudo de caso sobre uma criança, de um outro
país, que também não tinha a formação adequada da cabeça do osso, mas no
cotovelo. E esse caso estaria relacionado a uma doença renal. Foi assim que a
doutora Thaisi pediu exames nos rins para Benício e o teste deu positivo para
Acidose Tubular Renal, uma espécie de imaturidade que faz com que a criança não
absorva nutrientes. Foi assim que se descobriu exatamente o que havia de
diferente com meu filho”, relata Ieda.

Havendo necessidade de consulta com um nefrologista, Ieda procurou o
plano de saúde e o atendimento poderia demorar até seis meses. No entanto, com
o atendimento coordenado, a médica da USF conseguiu atendimento pelo SUS para o
mesmo dia. “Em 15 dias de tratamento, num novo raio-x, já apareciam os
primeiros sinais de recuperação óssea. Em três meses de tratamento, meu filho
já tinha a cabeça do fêmur com tamanho normal. Em razão disso, Benício já
conseguia sentar, engatinhava e até ficava de pé com o auxilio de um andador.
No dia 10 de novembro do ano passado, no dia do meu aniversário, meu marido,
Luis Fernando, levou Benício até o lago municipal. Lá, no parquinho infantil,
Benício ficou de pé, apoiado e, do nada, andou pela primeira vez, sem apoio
algum. Felizmente, temos esse vídeo, gravado em celular”, conta.

Ieda e Benício continuam frequentando a USF Maria Luiza e a Unioeste,
onde novos estudos e pesquisas são realizadas. A médica Thaisi Estralioto
lembra que esse é um caso muito raro e deve concluir nos próximos dias o artigo
científico sobre o estudo, que deve publicar em revistas científicas em breve.
Ela faz questão de ressaltar que a homenagem proposta, deve ser estendida a toda
a equipe de profissionais da USF e da Unioeste. “Isso só foi possível porque
houve um plano terapêutico coordenado. E nos ajudou muito no diagnóstico o fato
de a mãe do Benício ter conseguido realizar alguns exames através de seu plano
de saúde”, diz.