PL que torna Cascavel cidade-irmã da Beitunia na Palestina é aprovado em segunda votação

PL que torna Cascavel cidade-irmã da Beitunia na Palestina é aprovado em segunda votação

O que teria uma cidade localizada na região central da Cisjordânia, na Palestina, a ver com Cascavel? Beitunia, uma cidade com pouco mais de 19 mil habitantes, assim como Cascavel, tem na agricultura familiar a base de sua economia. A cidade é destaque na produção de oliveiras, que resultam em belíssimos azeites. Além disso, Beitunia é a cidade da região que possui a maior colônia de brasileiros, chegando a 1,5 mil pessoas. Sem contar que, o Oeste do Paraná, possui promissoras relações comerciais com os países árabes. No entanto, desde a última terça-feira, Cascavel e Beitunia têm algo mais em comum. Foi aprovado, em segunda votação, um projeto de lei, assinado por 14 vereadores da casa, que torna Cascavel e Beitunia, cidades-irmãs. O projeto segue agora para sanção do prefeito Leonaldo Paranhos, que inclusive já manifestou sua simpatia à proposta, antes mesmo de o projeto de lei ser votado na casa.

Mas, como este laço foi atado? Em 2015 o vereador Paulo Porto (PCdoB), fez uma viagem à Palestina com uma comitiva composta por ele, pelo vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Nilton Bobato e pelo presidente da Sociedade Árabe Palestina de Foz do Iguaçu, Jihad Abu Ali. Viagem a qual, inclusive, resultou em um livro com texto de Bobato e fotos de Porto. “Palestina, Um Olhar Além da Ocupação” foi lançado em Cascavel em fevereiro deste ano. Durante esta viagem, a comitiva esteve em Beitunia onde um protocolo de cooperação, entre a cidade da Palestina e Cascavel, foi assinado por Porto e pelo prefeito da cidade Ribhi Dola. O protocolo, que teve como objetivo estreitar laços entre os dois povos nas áreas da cultura, economia e desenvolvimento local, também fez com que Cascavel passasse a ser considerada cidade-irmã de Beitunia. A partir da aprovação deste projeto de lei, Cascavel retribui este ato de irmanação.

 

Embaixador em Cascavel

Em fevereiro deste ano, o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, esteve em Cascavel para participar do lançamento do livro “Palestina, Um Olhar Além Da Ocupação”. Além de Ibrahim, fazia parte da comitiva o presidente da Confederação Palestina Latinoamericana e do Caribe, Rafael Araya Masry. Durante esta visita, o embaixador foi recebido no gabinete do prefeito Leonaldo Paranhos, que estava acompanhado de diversos secretários municipais.

Durante a conversa, o embaixador reforçou o interesse em construir uma amizade entre a Palestina e a cidade de Cascavel. “Mas a esta solidariedade não se aplica a Lei Seca, precisa ser uma relação positiva para ambos os lados”, disse Ibrahim que também é decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil. Ele reforçou que existem fortes relações comerciais entre o Brasil e o Mundo Árabe, com destaque para a compra de soja e frango. Para se ter ideia, de acordo com o conselheiro titular da Federação Árabe da Palestina no Brasil, Ualid Rabah, a balança comercial entre o Paraná e o Mundo Árabe aponta uma movimentação de 1,7 bilhões de dólares, sendo que deste total 1,4 milhões foi resultado de compra por parte dos árabes.

 

O PL

O projeto de lei foi uma proposta dos vereadores: Paulo Porto, Policial Madril, Carlinhos Oliveira, Pedro Sampaio, Fernando Hallberg, Mauro Seibert, Alécio Espínola, Josué de Souza, Olavo Santos, Serginho Ribeiro, Jorge Bocasanta, Mazutti, Jaime Vasatta e Cabral. Tanto na primeira, como na segunda votação, foram, ao todo, 15 votos favoráveis e quatro contrários. Sendo que, votaram contra, os vereadores: Celso Dal Molin, Damasceno Jr., Misael Júnior e Romulo Quintino.