Porto cobra explicações sobre política  salarial no transporte público de Cascavel

Porto cobra explicações sobre política salarial no transporte público de Cascavel

O vereador Paulo Porto (PCdoB) ocupou a tribuna da Câmara de Vereadores na sessão de hoje (19) para fazer uma cobrança sobre a política salarial adotada pelas empresas do transporte público de Cascavel. Ele destacou que a categoria decidiu suspender a greve prevista para esta terça-feira, apesar de as empresas se manterem inflexíveis nas negociações. “Suspenderam a greve por respeito aos usuários, graças a intervenção do Executivo, que mediou a queda de braço com as empresas”, disse o vereador.

Paulo Porto fez uma comparação de dados do transporte coletivo em Foz e em Cascavel para denunciar a postura abusiva das empresas locais. Para ele, esses dados do transporte urbano em Cascavel precisam ser apurados com rigor para se fundamentar demandas futuras. “Afinal, por que o trabalhador de Cascavel ganha tão mal comparando o seu salário com os demais motoristas do transporte municipal da região oeste do Paraná?”, indaga.

O vereador lembra que a realidade de Cascavel é incômoda, na medida em que oferece o pior salário e é justamente a cidade que dá maior lucro para os empresários do setor. Porto diz que é possível verificar isso a partir do índice chamado PKR (Pessoa Transportada por Quilometro Rodado), a partir do qual pode-se apurar a lucratividade de determinado município. “A conta é simples, fácil, primária. Quanto maior o PKR, maior o lucro”, simplifica.

Ao comparar Cascavel e Foz, Porto destaca que, coincidentemente, “temos o mesmo patrão comandando as empresas, o senhor Hélio Camilo – dono da Viação Cidade Verde em Foz é também dono da viação Pioneira em Cascavel”.  O PKR de Foz é de 1,55, bem abaixo do PKR de 1,79 em Cascavel. “Temos em Cascavel um índice bem mais alto, transportamos 1,79 passageiro por quilômetro rodado – obviamente aqui se ganha muito mais do que em Foz por quilômetro rodado – e sabendo que nas duas cidades as empresas rodam aproximadamente 900 mil quilômetros por mês, basta multiplicar estes quilômetros pelos seus respectivos PKRs, multiplicar o resultado pelas tarifas em cada cidade para auferimos a diferença entre uma e outra”, explica.

O vereador esclarece o raciocínio: “Em uma conta rápida, chegamos a uma diferença de quase 300 mil reais por mês de lucratividade entre Cascavel e Foz. Isto, somado a ausência de cerca de uma centena de cobradores (que foram demitidos pelas empresas devido a bilhetagem eletrônica) dá uma diferença de mais 150 mil reais em relação a Foz, que segue com seus cobradores”. Com isso, Porto assegura que Cascavel rende atualmente uma diferença de mais de 400 mil reais mês de lucro em relação a Foz.

Diante dos números, Porto diz que é preciso buscar respostas e cobrar os empresários do setor. “Nesta comparação entre Foz do Iguaçu e Cascavel, por que o mesmo empregador, para o mesmo trabalho, paga salários tão distintos? Que mágica é esta? Uma diferença salarial de praticamente 16%, sem contar o vale alimentação! Sendo que a diferença da passagem é de apenas 4%? Enfim, onde estão os outros 12%?

 

QUESTÕES FUNDAMENTAIS

 

Porto abriu seu discurso na Tribuna informando sobre as negociações entre trabalhadores e patrões do transporte público de Cascavel. “Houve uma mediação do executivo de Cascavel na queda de braço entre os patrões e os trabalhadores e se conseguiu chegar um pouco mais perto das reivindicações da categoria – se garantiu uma reposição inflacionária de 4% e um vale alimentação de 300 reais. Bem abaixo do que gostaria a categoria, mas, devido a intermediação do prefeito e em respeito ao usuário, os ônibus não pararam”

Segundo o vereador, três aspectos precisam ser destacados nesse debate. Primeiro, de forma inédita no município, o prefeito se colocou como protagonista no processo, “afinal ele é o gestor do contrato e é quem deve zelar pelos interesses dos usuários”, e sua participação foi fundamental para que a greve não acontecesse e parte das demandas dos trabalhadores fossem atendidas. Em segundo lugar, destaca o vereador, é preciso reconhecer a compreensão do sindicato que mesmo com uma pauta magra e com apenas parte das demandas cumpridas, deliberou pelo fim da greve em reconhecimento ao esforço do Executivo e em respeito ao usuário; em terceiro, bem ou mal, a disposição das empresas em melhorar um pouco a proposta inicial.

Conforme Porto, o empresário Hélio Camilo aparece como signatário dos acordos coletivos de trabalho celebrados em Foz, em 2018/2019, com o Sindicato de Trabalhadores de Foz, em que ele aparece como proprietário da Viação Cidade Verde. E, em Cascavel, o mesmo empresário aparece no Acordo coletivo, firmado em 2018/2019, como proprietário da Viação Pioneira.

“Como podem ver, o mesmo dono, o mesmo trabalho, porém salários diferentes. Onde está a mágica senhores?”. O vereador reitera ainda que essa discussão sobre política salarial de uma empresa tem sim “tudo a ver” com a Câmara de Vereadores, uma vez que se trata de uma concessão pública. “Nesse caso, cabe debater por que este lucro abusivo está na conta da empresa e não no abatimento da tarifa. Afinal, o usuário não pode pagar pelo apetite e pela ganância dos empresários de transporte – que além de pagar menos do que o necessário para os trabalhadores, cobra mais do que o necessário para o usuário em forma de tarifa. O resultado é um salário defasado para o trabalhador e uma tarifa injusta para o usuário”, pondera o vereador.

Ao final de sua fala, Paulo Porto afirma que para desvendar os números, mais do nunca, é necessário avançar na auditoria das planilhas de custo das empresas de transporte urbano de Cascavel. “Somente desta forma vamos entender esta mágica contábil onde o lucro não é repassado nem para os trabalhadores em forma de salário e nem para o usuário em forma de tarifa”.