Por 12 votos a 8, Câmara aprova criação de cargos na prefeitura

Por 12 votos a 8, Câmara aprova criação de cargos na prefeitura

O apelo popular dos manifestantes e servidores de carreira que estiveram no plenário da Câmara Municipal de Cascavel na noite de quarta-feira (26/06) não surtiu efeito e, em sessão tumultuada, foi aprovado o destaque do anteprojeto de autoria do Executivo Municipal que dispôs sobre a criação de 265 cargos comissionados na prefeitura.

Oito vereadores votaram contra a proposta, que acabou aprovada com os 12 votos favoráveis da base governista no Legislativo, que também não permitiu a aprovação de emendas que buscava corrigir algumas distorções do projeto enviado à Câmara pelo prefeito Edgar Bueno (PDT).

Entre as emendas rejeitadas, a de autoria do vereador Paulo Porto (PCdoB) que buscava a destinação de 50% dos cargos comissionados da prefeitura para servidores públicos de carreira. “Até o ano de 2011 era assim que estavam regulamentado, 50% dos cargos em comissão eram de funcionários concursados e nem por isso a máquina pública deixou de funcionar. Nosso objetivo com essa emenda era corrigir essa distorção”, comentou Porto.

Na avaliação do comunista, não houve diálogo do prefeito com o funcionalismo e com o Legislativo. “As emendas propostas foram resultado de um plano que não foi discutido anteriormente com a categoria, com os sindicatos. A forma como o projeto foi enviado foi uma verdadeira armadilha, querendo condicionar o plano de carreira dos professores e dos servidores com a criação dos cargos comissionados. Felizmente conseguimos desfazer essa arapuca, mas mesmo assim fomos voto vencido na questão dos cargos”.

Em pronunciamento na tribuna do legislativo, Porto fez menção as palavras do senador Roberto Requião (PMDB) ao argumentar que a Casa de Leis necessitava ouvir as vozes das ruas. “Logo após as vaias recebidas pela presidenta Dilma, o pilantra do senador Alvaro Dias quis aproveitar do momento e de forma demagógica postou uma foto nas redes sociais com seu filho se vangloriando de estar presente no estádio, porém não percebeu que as vaias eram para toda a classe política como bem disse o ex-governador Requião”.

Mesmo com a aprovação da criação dos cargos e a rejeição das emendas propostas pelos vereadores de oposição, Paulo Porto faz uma ponderação positiva dos fatos ocorridos na Câmara. “Foi um momento importante desta Casa, com o plenário tomado pela população. A democracia necessita dessa ‘bagunça organizada’, esperamos que isso comece a ser a tona dentro desta Casa de Leis”, diz o parlamentar.

Para Porto, essa onda de manifestações que vem acontecendo por várias cidades do país deve também deve servir de lição da Câmara de Vereadores. “Essa Casa de Leis tem que ouvir, receber e aprender com esses protestos”, conclui.

Além de Paulo Porto, votaram contra a proposta de criação de cargos comissionados na prefeitura, os vereadores Ganso Sem Limite (PSD), João Paulo (PSD), Jorge Menegatti (PSC), Jorge Bocasanta (PT), Rui Capelão (MD), Vanderlei do Conselho (PSC) e Walmir Severgnini (PSD).


Foto: Flávio Ulsenheimer/Assessoria Câmara