Porto sai em defesa da Unioeste e questiona  críticas de entidades à universidade

Porto sai em defesa da Unioeste e questiona críticas de entidades à universidade

“A quem interessa atacar a Unioeste?”. Com essa pergunta, o vereador Paulo Porto (PCdoB) abriu sua fala na Tribuna da Câmara de Vereadores, na sessão realizada nessa tarde (21). Porto usou seu espaço para um manifesto em defesa da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, que foi duramente criticada por um grupo de entidades classistas patronais em nota paga veiculada nos jornais da cidade, na última sexta-feira (18).

O autointitulado G8, que reúne entidades de classe, lideradas pela Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), fundamentou suas críticas basicamente a partir de três argumentos: de que as contas da universidade não são transparentes, de que há um elevado número de cargos comissionados e de que se gasta muito com os alunos que, conforme as contas das entidades, custariam 10 vezes mais que os alunos da rede privada.

No discurso, de forma didática, o vereador questionou os argumentos veiculados na referida nota paga: “O argumento de que as contas da Unioeste não são transparentes é uma mentira. A Acic mente ou se equivoca”, discursou. “Todas as contas da Unioeste são transparentes e acessíveis, assim como em qualquer instituição pública”, completou para, em seguida, reiterar que todas as informações estão no portal da transparência. Em seguida, o vereador mostrou um vídeo em que mostra o quanto é simples a qualquer pessoa entrar no portal e consultar os cargos comissionados, por exemplo. “É simples o acesso. Por tudo isso eu afirmo que mentem quando dizem que a Unioeste não é transparente. Basta ter vontade e pesquisar”.

Ainda em seu discurso, Porto desconstrói outro argumento da nota publicada pelas entidades, em referência ao número elevado de comissionados. “Existe um alto número sim. Nesse caso é verdade, pois como o Estado do Paraná não faz e nem chama nenhum concurso para servidores técnicos da Unioeste, há muitos anos estamos com uma defasagem absurda”.  Com base em dados obtidos junto ao Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Superior do Oeste do Paraná (Sinteoeste), Porto informou que a defasagem é de 900 servidores técnicos nas mais diversas áreas, nos cinco campi da Unioeste (Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão).

“E como a Unioeste sobrevive e não fecha as portas com tamanha defasagem? Simples, ela sobrevive a partir de cargos comissionados”, explica o vereador para completar em seguida: “A questão é matemática: não se abre 50 cursos de pós-graduação em 15 anos – como a Unioeste fez, inclusive com Medicina em Beltrão – sem aumentar o efetivo de seus servidores”.

Quanto ao terceiro argumento da crítica das entidades patronais à Unioeste, Paulo Porto também mostra que a nota publicada traz equívocos. “Neste caso, de que a Unioeste gasta mais que as privadas, é necessário deixar claro que esta conta é malfeita e mal intencionada, pois entende como o gasto não apenas a sala de aula, mas todo o conjunto dos serviços prestados à comunidade, como todos os atendimentos do Hospital Universitário, por exemplo”. Já com relação ao ensino, o vereador diz que se gasta mais sim por aluno na Unioeste em relação às privadas. “E isso é bom, pois formamos melhor. A Unioeste, ao contrário das chamadas privadas, investe em pesquisa e extensão além do ensino. Atualmente temos mais de mil projetos de extensão em nossos cinco campi, isto sem contar a produção de pesquisa e tecnologia – coisa que as privadas não fazem ou fazem muito pouco. Porque lá a regra é economizar porque não se busca a excelência, mas sim o lucro. Enquanto na Unioeste a maioria dos cursos é nota máxima no MEC, para mostrar o esforço pela excelência”.

Ao final do discurso, o vereador reitera a fragilidade dos três argumentos principais utilizados pelas entidades patronais nas críticas à Unioeste: “O primeiro é mentiroso. O segundo é fruto do descaso governamental e o terceiro, na perspectiva educacional, é extremamente positivo”.

“A questão que fica é qual a preocupação que a ACIC tem com o ensino superior público gratuito de Cascavel a ponto de soltar uma nota paga em nossos principais veículos de comunicação? Talvez esta resposta esteja na afirmação do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, quando disse que caso seja eleito, o ensino superior deverá ser pago no Brasil”, discursa.

Paulo Porto, antes de refazer a pergunta “A quem interessa atacar a Unioeste?”, afirmou que a Unioeste tem problemas, “como toda e qualquer instituição de grande porte”, “mas que com certeza não serão sanados a partir de recomendações privatistas e falaciosas de entidades patronais que têm pouco ou nenhum compromisso com a coisa pública”.