Porto contesta notícias distorcidas sobre caso  Araupel e risco de intervenção no Paraná

Porto contesta notícias distorcidas sobre caso Araupel e risco de intervenção no Paraná

O Vereador Paulo Porto (PCdoB) usou a tribuna durante a sessão ordinária da Câmara, nesta segunda-feira (26), para contestar informações veiculadas na imprensa local sobre um suposto risco de intervenção federal no Paraná por conta de não cumprimentos de ordens judiciais relativas à disputa de terras em Quedas do Iguaçu. “Em tempos de pouco diálogo, de muita bravata e fake news, é necessário cuidado com o que se fala e com o que se publica”, ensina o vereador.

Porto fez referência à manchete publicada no dia 23 pelo jornal O Paraná, considerada “absolutamente equivocada”. O título dizia: “Paraná está sob risco de intervenção federal” e, logo abaixo, outro título fazendo um complemento ao tema: “Justiça reconhece área como sendo da Araupel”.

Ao assegurar que não há essa hipótese hoje, o vereador destaca: “É isso que os especialistas estão chamando de pós-verdade. Um termo que surgiu recentemente para explicar situações como essa, em que na hora de se alimentar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência do que os apelos às emoções e às crenças pessoais”.

O problema, continua o vereador Paulo Porto, que por muitos anos lecionou nos cursos superiores de Comunicação Social, em Cascavel, é que nesses tempos da pós-verdade, “parte-se da ideia de que a verdade perdeu a importância no debate político. Por exemplo, o boato amplamente divulgado nas redes sociais de que o Papa Francisco apoiaria a candidatura de Trump teve mais validade que as negativas oficiais do Vaticano”, pondera o vereador. “É o mesmo que um desconhecido afirmar que a terra é plana e isso ter a mais validade de que todas as evidências científicas que provam exatamente o contrário. Ou ainda, a inacreditável afirmação de que ONGs estão colocando fogo na Amazônia ter a mesma força do que os dados do mundo real”.

Para Porto, estes são exemplos de pós-verdade, isto é, “o conceito de que a realidade deve ser modelada às crenças e às emoções individuais de um dado grupo. Em outras palavras, a pós verdade é sempre uma absoluta negligência em relação a própria verdade e por isso dotada de um profundo desprezo pela ciência e pelo conhecimento”.

O vereador denuncia que esse tipo de notícia inverídica tem contribuído em demasia para a desinformação. “É como se a verdade fosse o que as pessoas querem e não o que ela simplesmente é. Se não estou contente com a verdade imponho a minha opinião, ainda que ela esteja longe de ser verdadeira, independentemente dos males que ela possa causar”, exemplifica.

CASO ARAUPEL

Paulo Porto justifica sua fala citando o caso da manchete veiculada pelo jornal O Paraná, no dia 23, onde se lia: “Paraná se encontra sob o risco de intervenção federal” e logo abaixo a legenda explicativa: “Justiça reconhece área como sendo da Araupel”. “Esta manchete possui dois grandes problemas, que necessitam revisão: Primeiro, não existe risco de intervenção federal, até por que o governo Ratinho é um governo que dialoga com o governo federal e, inclusive, em algum momento chega a ser alinhado, como por exemplo, na questão da previdência”, diz. Para o vereador, uma simples pesquisa mostraria que não há nenhum sinal de uma intervenção federal iminente. “A verdade é que neste momento, dos cerca de 100 imóveis ocupados por agricultores sem-terra no estado, todos eles possuem algum procedimento de obtenção para a reforma agrária”, afirma.  E informa que em todos os casos de áreas ocupadas, temos situações específicas como por se tratar de terra grilada, terra improdutiva – por crime ambiental, trabalho escravo ou ociosidade -, terra confiscada de organizações criminosas, como do tráfico de drogas; terra de grandes devedores da união ou terra ofertadas ao INCRA pelos proprietários. “Ou seja, caso houvesse uma eventual intervenção federal, seria para premiar grileiros, degradadores do meio ambiente, criminosos ou sabotadores do dinheiro público”, destaca o vereador, ao afastar o risco de intervenção.

O segundo aspecto que ele contesta sobre a manchete, diz, “talvez seja a pior parte da notícia”, é quando o jornal diz que a justiça devolveu área para a Araupel. “A justiça não devolveu a área para a Araupel, como inclusive a própria matéria na página afirma, onde se lê que TRF 4 segue sustando todas ordens de reintegração na Araupel até a finalização do processo. Hoje, inclusive, há grande chance de determinar justamente o contrário, de que toda aquela área seja declarada como pública e que a Araupel é uma grande grileira”.

Porto se vale inclusive de dados que estão na própria notícia veiculada para constestar as informações que foram destacadas nos títulos publicadas na primeira página: “Aliás, como noticia a matéria, os 10 mil hectares em que a Justiça Federal de Cascavel reconheceu o domínio da Araupel, são uma parcela dos 63 mil hectares da gleba denominada Rio das Cobras, em que o Tribunal Regional da 4ª Região reconheceu a grilagem. Quer dizer, a decisão citada na matéria é um ´natimorto´, uma vez que prevalece a decisão do Tribunal Superior. E mais, até final decisão judicial, a posse segue com os trabalhadores em terra”, reitera.

Conforme o vereador em seu discurso, “talvez o que tenha ocasionado a manchete, profundamente equivocada, seja justamente o desejo de alguns de que a realmente haja uma intervenção federal, o desejo de alguns proprietários e outros menos votados de que a Araupel não seja a maior grileira de terras do Estado do Paraná”.

Independente de desejos e crenças, no entanto, o vereador assinala que afirmações como as destacadas na manchete do jornal podem criar situações de caos, de insegurança e rompimento da legalidade. “Afirmações como estas podem incentivar atos criminosos na perspectiva de quem crê em fazer ´justiça´ com as próprias mãos, de contribuir para ódio e o preconceito que já existe em relação às famílias que hoje ocupam estas terras”, adverte.

Porto diz que não podem prevalecer desejos e crenças diante de dados concretos que os contestam. “Mais que nunca é necessário esclarecer o claro e perigoso vínculo entre afirmações do tipo ´o efeito estufa é coisa de marxista´, ´a crise ambiental é uma mentira da esquerda´ – frases do eminente Chanceler Ernesto Araujo -, ou ainda, ´o oceano é o pulmão do mundo´, esta do vice-presidente, Olympio Mourão, e as queimadas criminosas que acontecem na Amazônia. É óbvio que uma coisa tem a ver com a outra”.

Ao encerrar seu discurso, Porto citou Lenin, que costumava afirmar que “a nossa vontade não poder ser o nosso argumento”. “E parece que isto tem ocorrido neste Brasil de fake news e ocorreu nesta sexta feira (23), com o jornal O Paraná”.

Texto: Assessoria de Imprensa do Gabinete Paulo Porto

Fotos: Marcelino Duarte/Assessoria CMC