Artigo: Os fantasiosos argumentos do FEBEAPÁ

Artigo: Os fantasiosos argumentos do FEBEAPÁ

* Por Paulo Porto

Estas últimas semanas foram fecundas para o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assolam o País) interessante festival criado pela ditadura militar nos idos anos 60, porém a moda é discutir as demarcações de terras indígenas no Oeste do Paraná.

Segundo informações vinculadas por órgãos de imprensa da região – os indígenas em Guaíra (depois de terem sido acusados pelo deputado Nelson Padovani (PSC) de estarem construindo cemitérios clandestinos com ossos trazidos do Xingu!) estariam “atuando sob o interesse de narcotraficantes”. Esta instigante revelação vem do também deputado Elio Rusch (DEM). E mais, pois segundo o sagaz democrata os “indígenas estão sendo usados por ONG’s internacionais com o objetivo de atentar contra a soberania nacional”, e entre estas ONG’s se encontram perigosas entidades religiosas católicas e protestantes.

Ainda segundo os deputados, sinceramente preocupados com o bem-estar indígena “os indígenas não querem e sequer necessitam de mais terras, querem que suas necessidades sejam atendidas (sic)”. O interessante é que esses “peritos” nas questões indígenas esquecem de consultar os próprios indígenas, em especial os povos do Oeste do Paraná e o Mato Grosso do Sul que vem justamente clamando pela ampliação de sua parca área territorial.

Atualmente em Guaíra e Terra Roxa existem cerca de 12 aldeamentos irregulares, se todos (todos mesmo!) fossem demarcados como estão não teríamos mais do que 4 mil hectares de terras. Uma triste média de 33 hectares por aldeia. A notícia fantasiosa de que seriam demarcados cerca de 100 mil hectares ou áreas equivalentes a nações, como a imprensa vem divulgando, simplesmente não existe no mundo real e sequer é pretendido por estes indígenas.

Infelizmente a bancada paranaense no Congresso Nacional vem navegando contra todos os eventuais avanços civilizatórios, pois, de forma sintomática, esta mesma bancada que luta contra a demarcações das áreas indígenas (Padovani fala em abrir uma sindicância contra os “superpoderes da FUNAI” ) é a mesma bancada que vergonhosamente votou contra a PEC do Trabalho Escravo. Foram 360 votos a favor de se punir de forma exemplar as pessoas que promoverem forma de trabalho tido como análogo à escravidão e apenas 29 contrários no Congresso Nacional, e destes contrários, seis deputados federais do Paraná! Por coincidência, exatamente os mesmos deputados federais que estão preocupados com as terras indígenas de Guaíra.

Aguardamos curiosos os interessantes argumentos que estes deputados federais utilizarão para justificarem estes votos. É o bloco do FEBEAPÁ pedindo passagem!

* Paulo Porto é vereador em Cascavel. Trabalha junto aos povos indígenas desde 1990