Nota oficial – O Brasil não pode ficar refém de Cunha

Como defensor dos jornalistas paranaenses e, acima de tudo, dos interesses da classe trabalhadora e do povo brasileiro, o SindijorPR repudia a atitude do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acolheu o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). É de conhecimento público que o comprovadamente corrupto, misógino e LGBTfóbico peemedebista agiu em retaliação a petistas que votaram a favor da abertura da investigação contra ele no Conselho de Ética da Casa.

As fundamentações do requerimento, assinado por Hélio Bicudo, se baseiam em um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendava a reprovação das contas de 2014 de Dilma e que sequer foi confirmado pelo legislativo. Embora o impedimento esteja sim previsto na Constituição Federal, juristas renomados, incluindo os pertencentes à comissão criada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para discutir o tema, já atestaram que as chamadas “pedaladas fiscais” não podem ser consideradas neste caso, uma vez que dizem respeito ao primeiro mandato da petista.

É nítida, portanto, a tentativa de se atender, via ruptura democrática, aos anseios de quem não aceita o resultado das urnas. Ora, se o governo comete erros, cabe à mesma população que o colocou no poder cobrar a efetivação do programa de governo apresentado ou mudar os rumos do País daqui a três anos, pelo voto. Devemos lembrar, ainda, que Cunha foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), por manter contas na Suíça. Um político desse calibre não tem condições de conduzir qualquer processo contra a presidenta. Pelo contrário, como Delcídio do Amaral (PT-MS), que usou das atribuições de seu cargo para obstruir uma investigação, deve ser afastado ou até mesmo preso.

Os veículos de comunicação brasileiros têm se posicionado a respeito da questão – seja em editoriais, análises ou em matérias pretensamente objetivas. Entretanto, é importante que se diga que nós, jornalistas, não somos a mídia tradicional, concentrada nas mãos de poucas famílias. Somos trabalhadores, e de uma categoria que enfrentou censura, tortura e morte antes e depois dos 21 anos de Ditadura Militar (1964-1985). Ainda que persistam, por parte de empresários e políticos, tentativas de perseguição e intimidações, desfrutamos hoje de uma liberdade da qual não abriremos mão; pelo menos, não sem luta.

Somos contrários a qualquer tentativa de golpe ou de enfraquecimento das nossas instituições. Aos jornalistas, pedimos apenas que se faça jornalismo; e aos parlamentares, que a análise do processo, bem como o seu arquivamento, ocorra de forma célere, para que a agenda do Brasil volte a ser discutida, sem ficar refém de interesses pessoais. O único impeachment defendido pelo SindijorPR, hoje, é o das empresas que demitem, assediam, se dobram a chantagens e distorcem informações. Essas #NãoPassarão.

 

Fonte: Diretoria do Sindijor/Gestão Luta Jornalista